• Helen Mazarakis

A virada em saúde ocorrerá entre 2025 e 2030. Os empreendedores estão chegando!

Por Clemente Nóbrega


Iniciativas empreendedoras em saúde privada no Brasil começam a ganhar massa crítica.

Em 2025, pelo menos 40% das ofertas de "planos de saúde" estarão ligadas à iniciativas que estão começando hoje. Em 2030, deverão ser cerca 85%.


Como eu sei? Matemática e padrões de uma disciplina chamada inovação sistemática.

Vou explicar.

Primeiro o mandamento mais importante: as dinâmicas de inovação em saúde não são diferentes das de outros setores.
Tecnologias novas se impõe quando há pessoas insatisfeitas como a forma atual de fazer algo que elas estejam querendo fazer.

Estamos no início dos anos 90.


Você é um executivo da AGFA (ou da Fuji, ou da Polaroid, ou da Leica ou da Kodak). Já há ofertas de câmeras digitais no mercado, e você quer saber o que vem por aí. Pede um levantamento e vê o seguinte: as vendas de câmeras digitais crescem, mas muito lentamente. Uma projeção mostra que elas só farão alguma diferença daqui há muito muito tempo. Para que se preocupar?


Você vê algo mais ou menos assim:

Passa o tempo.


10 anos depois a Agfa já era. A Polaroid já era. A Fuji está em situação séria. A Leica é um caso tristíssimo de decadência terminal. Só a Kodak estava relativamente bem, mas vinha tendo um caminhada duríssima e morreu de exaustão no início de 2012. Uma morte previsível.





O que houve?

Há um padrão na difusão de quase todas as novas tecnologias. Elas vão atraindo consumidores lentamente no início e, de repente, ”saltam” para um alto patamar de alto marketshare.
As câmeras digitais ficaram encubadas por anos até dar o salto.

O mesmo padrão existe em toda parte-o padrão da “curva S”,

Inovações não ganham mercado em linha reta, mas em"S".
O que os executivos da Agfa viam no início dos anos 90, é o que os executivos do setor de saúde começaram a ver de uns dois anos para cá-a parte de baixo do “S”.


 Você olha os pontos iniciais, extrapola e pensa que a tecnologia vai se difundir seguindo a linha pontilhada , mas ela sofre uma inflexão e salta. O salto pode ser mais vertical ou mais inclinado, mas sempre ocorre. Isso acontece em todos os setores da economia. Está acontecendo em saúde no Brasil neste momento. 

A figura abaixo não retrata participação de mercado, mas número absoluto de startups em saúde no Brasil. Serve como uma aproximação para o que estou querendo mostrar. Continue lendo.


A pergunta é:

Em saúde, quando acabará a fase de incubação recém iniciada e acontecerá o salto em marketshare? E este salto levará as novas tecnologias para qual patamar de penetração?
Esta é a pergunta de 1 bilhão de dólares.
Eis a resposta:
Em assistência médica haverá um novo modelo operando fullgas entre 2025 e 2030.
  • Estimo que hoje não haja mais de 3% de beneficiários do sistema privado distribuídos entre várias empresas iniciantes (não há um modelo alternativo único, mas uma coleção deles que realiza diferentes demandas de usuários em saúde).

  • O "ecossistema alternativo" ainda não é um sistema na verdade; não compete (ainda) com planos tradicionais (até presta serviços para eles), mas...

  • ...é certo que vão "coagular" em arquiteturas integradas de prestação de serviços (um padrão de inovação que ocorre em todos os setores) .

  • As startups que os estão implementando hoje baseiam-se numa variedade de práticas para "antecipar e prevenir", ou seja, são inspiradas por um conceito amplo de "Atenção Primária à Saúde", e adotam todos os lemas mais caros à saúde com base em valor (usuário no centro do cuidado/valor para o paciente/remuneração com base em desfechos/cuidado coordenado/linhas de serviço integradas..).

  • Todas são intensivas no "digital": telemedicina, monitoramento remoto, analytics (big data), inteligência artificial, aplicativos de celular e plataformas digitais, para oferecer um amplo espectro de serviços.

Quando essas startups "coagularem", ameaçarão operadoras e machucarão muito os hospitais e estruturas de serviços associadas a diagnóstico.

Isso ocorrerá antes de 2030.
Qual a base para esta afirmação?
Como podemos saber quando e para qual patamar ocorrerá o salto na curva “S” da saúde?

Eis a resposta:

A primeira coisa a fazer é construir um gráfico colocando no eixo vertical a RELAÇÃO entre os marketshares da nova e da velha tecnologia. Por exemplo, se cada uma tiver 50% de participação de mercado, esta relação será 1.


O eixo vertical deve ser construído em escala logarítmica de modo que os pontos 0.0001, 0.001, 0.01, 0.1, 1.0, e 10 de participação no mercado, fiquem todos equidistantes . Assim:




Isso é um truque que se usa quando os dados que se deseja representar estão espalhadas num intervalo que que contém valores muito pequenos e muito grandes. A escala logarítmica comprime grandes faixas de variação de uma forma que você possa comparar os dados visualmente.

Quando você faz isso, os dados da curva “S” caem sobre uma linha reta .
Às vezes, a reta é muito “deitada”, às vezes é muito “em pé”, mas é sempre uma reta.
Se os primeiros 4 ou 5 pontos não estiverem em cima de uma reta a suposta inovação não vai decolar. Sendo mais preciso: não há nenhum sinal de que a inovação possa “pegar”.

Mas se os pontos iniciais estão alinhados, você pode jurar que eles estão na parte de baixo de uma curva “S” e, mais cedo ou mais tarde, a inovação vai "pegar" (o marketshare da nova tecnologia vai aumentar e o da velha, diminuir). Vai “pegar” mais rapidamente se a reta estiver mais “em pé”, e mais de vagar se estiver mais “deitada”. Até aqui tudo bem?

Então, a matemática lineariza a curva “S”. Mesmo quando a nova tecnologia tem só 2 ou 3% de marketshare, como é o caso em saúde hoje, você consegue identificar a inclinação da reta que os primeiros pontos definem.

Isso resolve nosso problema porque se já sei que os primeiros pontos definem uma reta é só prolongá-la para descobrir quando a nova tecnologia terá 25%, 50% ou 90% do total do mercado.

Isso vale, como diz Clayton Christensen, para substituição de disquetes de computador de 8 polegadas por 2,5 polegadas. Para o Padrão VOIP de telefonia via web substituindo o convencional, vale para jornalismo digital substituindo o jornal tradicional, para música em MP3 versus o CD, ou para a substituição de vestidos por roupa esportiva para mulheres. A inclinação da reta é tão clara nos primeiros anos que permite prever direitinho o ritmo de penetração da inovação.

Abaixo o que vai acontecer em saúde. Coletei dados de fontes variadas e fiz algumas hipóteses que considero conservadoras. Vai decolar.


Publicado por Clemente Nóbrega (linkedin.com/in/clementenobrega)


Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/virada-em-sa%C3%BAde-ocorrer%C3%A1-entre-2025-e-2030-os-est%C3%A3o-chegando-nobrega/

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